O Paramore foi formado no estado americano do Tennessee em 2004, quando os integrantes Hayley Williams, Jeremy Davis, Josh Farro e Zac Farro tinham entre 14 e 19 anos.

Com dois álbuns lançados – All We Know is Falling (2005) e Riot! (2007) – a banda conquistou sucesso mundial, principalmente depois do lançamento do single “Misery Business”, que você curte na 89.
A repórter Luciana Curiati conversou com o baixista Jeremy por telefone, e você pode ler a entrevista na íntegra abaixo:
LC - Oi, Jeremy! Beleza? Onde vocês estão agora; estão em turnê?
JD - Beleza, tudo bem. Estou aqui almoçando. Eu estou num restaurante e... deixa eu ver onde... eu não sei nem em qual estado a gente está! Ah, estamos na Pensilvânia. O Paramore está em turnê agora com o Jimmy Eat World, e eles são sensacionais. Eles sempre foram uma grande inspiração pra nós, e é incrível que a gente esteja em turnê com os caras.

LC - O Paramore tem feito turnês pelo mundo todo, tocando com muitas bandas famosas. Então, Jeremy, você já bancou o tiete, largou o baixo e foi pedir um autógrafo pra alguém?
JD - Sim! Na verdade, o próprio Jimmy Eat World é uma banda que, quando eu conheci, eu pirei. E eu tive que pedir um autógrafo pros caras. Foi um momento sensacional. E eles também são muito legais, então foi tudo bem.
LC - Você se lembra do seu melhor e do seu pior show?
JD -
O melhor foi... foi na nossa primeira turnê como atração principal. Foi no final de 2006, era nossa estréia como headliners, e fizemos um show no House of Blues da Califórnia. O público era muito legal, e foi muito divertido. E o meu pior? O meu pior show foi no Missouri, durante a turnê mundial. Porque a gente faz um negócio – é um tipo de um salto sobre o nosso guitarrista, o Josh – e eu escorreguei na água, o baixo acertou bem na minha cara, e eu caí no chão morrendo de rir. Acabei me machucando e fazendo papel de idiota!

LC - Ainda falando de shows, vocês pretendem vir ao Brasil em breve?
JD -
Sim, eu mal posso esperar! O Brasil é o lugar que eu estou mais a fim de visitar. Já ouvi falar muito da cena musical brasileira e de como o país é bonito. Então, estou muito empolgado. A gente ainda não tem nenhuma data agendada, mas estamos fazendo reuniões, tentando marcar. Com certeza, a gente vai ao Brasil; só não sei quando.
LC - O Paramore já tem um monte de fãs no Brasil, mas tem gente que está conhecendo a banda agora. Então, Jeremy, como você pode descrever o Paramore? E conta pra gente quais são os piores rótulos que já deram pra banda.
JD -
Eu acho que o Paramore é divertido, com letras honestas, e não sei... acho que temos bastante energia no palco. É isso: é ua banda com muita energia. As pessoas dizem várias coisas. Tem gente que fala que é punk-pop, tem gente que fala que é emo... Mas acho que a Hayley levou a pior, porque ficam comparando ela com outras cantoras, como a Avril Lavigne. E este não é bem o nosso tipo de música. Então, o que eu posso dizer é que a gente não quer ser rotulado, e vivem fazendo isso!
LC - Vocês têm muitas influências musicais, principalmente no rock. Mas é verdade que você e a Hayley tinham uma banda de funk?
JD -
Sim, eu e a Hayley, quando nos conhecemos. Ela estava fazendo 12 anos, e eu tinha uns 16 anos quando ela se mudou pra Nashville. E eu tocava numa banda cover de funk, e a gente tocava de tudo: Stevie Wonder, Chaka Khan, até Jamiroquai, e vários sons legais de artistas clássicos do funk. Era divertido; tinha umas 66 músicas que a gente tocava por aí.
LC - O Paramore já entrou com uma música num videogame – o “The Sims 2” – e também no CD da trilha que acompanhou o filme “Superman: O Retorno”. Como rolaram estes convites?
JD -
Quando ficamos sabendo desta oportunidade, tivemos que pensar numa música que combinasse com o filme e também que tivesse a ver com a nossa banda. Então, vimos que “My Hero”, do Foo Fighters, era perfeita. A gente gosta e conhece bem esta música, e nós gravamos pra uma trilha sonora, o que é sensacional. Mais pra frente, a gente conheceu o Foo Fighters, e depois o Dave Grohl falou que gostou da versão, que ficou ótima. Foi legal, porque isso foi uma oportunidade de conhecê-lo e foi muito divertido.

LC - Agora, passando pra Internet, queria te dizer que a comunidade brasileira do Paramore na rede social Orkut tem quase 70 mil fãs inscritos. Como vocês lidam com a Internet e como vocês usam a Internet pra manter o contato com os fãs?
JD -
Uau, eu não fazia idéia de que era tão grande! Eu sabia que tínhamos muitos fãs no Brasil, mas não imaginava... porque a gente nunca esteve no país, e isso é incrível, sabe? Tudo porque a gente usa mesmo a Internet pra isso [comunicar com os fãs]. O ponto principal é que a Internet é muito legal; sites como o MySpace e outras redes sociais são acessados por pessoas do mundo inteiro. Através do computador, a gente pode conversar usando o MySpace, ou divulgar informações no blog LiveJournal... É um jeito fácil e divertido de manter uma comunicação com os fãs, tá ligado? E isso é ótimo! Mas a gente nunca esteve no Brasil, e você está dizendo que tem 70 mil pessoas aí que participam de um tipo de página de fãs do Paramore...isso é tão legal!
LC - Ainda falando em Internet, como músico, de que forma você vê a questão da pirataria e da queda na venda de álbuns?
JD -
Bom, isso é difícil. A venda de CDs não é mais como era antigamente porque muita gente está baixando da Internet, e principalmente fazendo downloads gratuitos. Mas não posso dizer que nunca fiz isso, sabe? E não tem como parar o avanço da tecnologia. Eu acho que... o que eu sinto sobre isso é que, às vezes, as coisas mudam na indústria musical – aliás, as coisas mudam muito na indúsitra musical – e você precisa estar preparado pra isso. Mas eu não acho que isso seja tão ruim, porque tem muita gente que não tem o dinheiro pra comprar um CD, então um amigo empresta, ou ele baixa da Internet e queima num CDR, e aí ele mostra a outros amigos, e talvez alguns deles acabem comprando o álbum [original]. Eu não posso reclamar, porque desta forma as pessoas vão conhecendo e gostando da nossa música, e espalham de uma forma diferente. Eu não acho que isso nos afete tanto assim, porque tudo bem, isso faz com que a gente se sinta bem por ter pessoas curtindo a nossa música.

LC - O Paramore já está pensando no próximo álbum?
JD -
Sim, a gente está compondo agora, e as músicas estão ficando muito boas. A gente ainda não tem as letras, mas já tem um monte de idéias que a gente curtiu e se empolgou. As músicas estão soando como as do CD “Riot!”, mas ao mesmo tempo parecem mais maduras e diferentes, tá ligado?
LC - Em fevereiro, o Paramore cancelou os últimos shows da turnê européia e deu o maior susto nos fãs. Muita gente pensou que a banda estava pra acabar! Então, Jeremy, explica pra gente o que rolou.
JD - Quando a gente estava na Europa, estávamos em turnê há uns 3 anos direto. A gente nunca tinha dado uma parada, e a banda estava só fazendo o que os outros queriam, e fazendo de tudo pra agradar aos outros. Nós nunca tínhamos deixado claro o que queríamos, ou reservado um tempo pra nós mesmos. Então, sentimos que precisávamos fazer isso. Estar em turnê é realmente muito duro emocionalmente e fisicamente, em todos os sentidos, e todo mundo precisa de um tempo pra se cuidar. E isso realmente ajudou a gente: estamos em melhor forma agora que há muito tempo.